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sábado, 30 de junho de 2012

São 00h00 de Sexta para Sábado

Certas coisas não mudam quando você muda de país. Estou aqui, na frente do computador, trabalhando, trabalhando, trabalhando.

Boa noite.

João Gabriel Riveres

domingo, 29 de abril de 2012

Influências

Jean-Pierre Dardenne (esquerda) e Luc Dardenne (direita). Image: toutlecine.com



Como um estudante de cinema estou sempre em busca de realizadores que me interessem, não tenho nenhum ídolo e nem sei se quero ter algum. O que tenho são influências e atualmente existe uma dupla de realizadores que me deixa de cabelos em pé.

Jean Pierre e Luc Dardenne, são belgas da cidade de Liège, começaram suas carreiras produzindo e dirigindo documentários (que não conheço e que parecem ser difícílimos de encontrar). Se não estou enganado, em 1996 dirigiram seu primeiro longa metragem de ficção, La Promesse. Desde esse filme estabeleceram uma linguagem muito própria e que me interessa muito.

Que eu saiba, os Irmãos Dardenne tem em seu currículo até o momento 6 longas:
  • La Promesse (A Promessa, 1996);
  • Rosetta (Rosetta, 1999);
  • Le Fils (O Filho, 2002);
  • L'enfant (A Criança, 2005);
  • Le Silence de Lorna (O Silêncio de Lorna, 2008);
  • Le Gamin au Vélo (O Menino com a Bicicleta, 2011).

Desses filmes o único que não assisti foi Le Silence de Lorna (2011). Todos os outros são excelentes filmes. Assuntos delicados tratados de uma forma extremamente pertinente e sensível. Recentemente assisti ao L'enfant (2005) e nos extras encontrei uma entrevista com os dois (que sempre aparecem juntos) em que falavam um pouco da sua maneira de construir seus filmes. Deixo aqui alguns trechos da entrevista que me pareceram geniais (peço desculpas pela tradução, mas tive que traduzir as legendas em inglês que, por sua vez, eram a tradução da entrevista em frances):
"Nós tentamos criar uma diferença entre a maneira com a qual gravamos nossos documentários da maneira como fizemos a partir de "A Promessa". Sem a menor sombra de dúvidas existem coisas que herdamos. Acredito que existem duas coisas. A primeira é que construimos a misancene (mise-en-scéne) de forma que não possamos controlar-la completamente, de forma que ela não caiba na câmera. Tudo isso para que o espectador tenha a impressão de uma existencia autônoma, algo que está além da câmera. (...) A segunda é que gostamos de apresentar nossos personagens como se não os conhocessemos. Para tanto, não reconstruimos seu passado. Eles viveram antes de entrar no filme. (...) Eles tinham uma vida própria antes da chegada dos espectadores e o mesmo acontece no final, quando cortamos a câmera e tudo vai a negro, os personagens continuam vivendo."
Esse pequeno parágrafo é, na minha opinião, um excelente resumo da maneira como trabalham e, ao contrário de outros realizadores ditos intelectuais, os filmes feitos pelos Irmãos Dardenne são facílimos de assistir, possuem um ritmo impressionante e não entendiam o espectador. Tudo isso sem deixar de tratar de assuntos extremamente delicados de uma forma absolutamente  fantástica.

Acho que devo uma justificativa sobre o porquê de estar escrevendo sobre essa dupla de realizadores. Então, estou metido na parte mais desafiadora do primeiro ano da EICTV, que é o trabalho final da polivalencia, os "3 Minutos". Cada um de nós deve escrever e dirigir um curta-metragem de 3 minutos e, pasmen, gravamos em filme (Super16)! E eu escolhi me inspirar na maneira como os Irmãos Dardenne constroem suas histórias para construir a minha.

Um grande abraço a todos,

João Gabriel Riveres

Update: Deixo os cartazes dos filmes:

Imagem: oedipe.org

Imagem: wearethemovies.com

Imagem: wikipedia.en
Imagem: filesdrop.com

Imagem: paperfrog.fr
Imagem: foreignmoviesddl

sábado, 19 de novembro de 2011

Resultado (Quase) Final

Então, na semana passada acabou o Taller de Foto Relato. Meu trabalho foi motivo de uma longuíssima discussão sobre a má utilização das ferramentas de narração. Minha história foi interpretada de maneiras que eu nunca cogitei possíveis.

Pra ser bem sincero eu adorei a avaliação. Foi a primeira vez que recebi críticas e que tornaram evidentes erros que eu cometi. Foi um taller muito divertido e eu acho que aprendi um montão. Devo aplicar mais um tempinho nessa história, quero melhorar as fotos e, se for possível, concertar alguns erros.

Deixo para vocês o mesmo foto relato que foi avaliado. Um grande abraço,

João Gabriel

Primeira Página

Segunda Página

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

El Caso Del Callejón

Boa noite pessoal,

hoje foi um daqueles dias que colocam a gente de joelhos. Estou, em termos vulgares, um bagaço. Só sobrou o pó. Hoje foi o dia em que produzi meu trabalho de foto relato. O trabalho são 12 fotos que devem gerar uma pequena história. Ainda não terminei o trabalho, mas como achei interessante mostrar o processo vou postar aqui as fotos cruas, da maneira que sairam da câmera. Espero que gostem.












domingo, 30 de outubro de 2011

Quase 2 Meses Depois - Parte 02

Continuando,

Escolhemos não deixar nada no apartamente, já que não conhecíamos nem os donos, nem o motorista do Coco Taxi. Melhor prevenir. Saímos de lá e, no mesmo aperto que chegamos, fomos até o Capitólio.

Capitólio
O Capitólio é um ponto bem central de Havana (ou La Habana). Fica nos limites de Centro Habana y Habana Vieja (se não me engano), que são dois bairros. Em frente ao Capitólio ficam alguns dos restaurantes mais recomendados pelos alunos e cubanos. Fomos em um deles, que se chama Asturianito.


Como Havana é uma cidade que, mais ou menos, parou no tempo +/- 50 anos atrás a maior parte dos restaurantes ficam em prédios adaptados. Para chegar ao Asturianito você sobre uma escada de, mais ou menos 100 degraus, passa por dentro de um outro restaurante e sobe mais uns 30 degraus. Apesar de estarmos bem no alto do prédio (a escada é reta, apesar da quantidade de degraus) o restaurante não tem janelas (uma grande decepção). Não é um restaurante muito grande, mas é brega de uma quantidade inimaginável.


Estávamos eu, Matheus e a Etiene. A etiene estava super,duper feliz de estar comendo fora da escola e, portanto, entrou em um frenesi incontrolável e começou a pedir uma quantidade enorme de comida. Pedimos ao final um prato para cada, uma porção de peixe frito e uma proção de brusquetas de entrada. Quando terminos a porção de peixe frito estávamos, os três, lotados (imagina o tamanho). Logo depois chegaram os pratos principais e ficamos boquiabertos com a quantidade largamente exagerada. Obviamente demos 4 garfadas cada um e desistimos de comer, deixando +/- um quilo de comida no prato. Levamos para comer depois, é claro. Bendito seja o garçom que não trouxe as brusquetas.


Depois de isso tudo mais uma garrafa de vinho pagamos 40 CUCs, sendo que a garrafa de vinho foi 12, ou seja, toda a comida mais água deu menos de R$ 20 por pessoa. Bom D+.


Depois do restaute tentamos, sem rumo, encontrar algum lugar interessante para nos divertirmos, mas a busca foi frustradam já que não conhecíamos nada e os lugares próximos eram caros demais para valer a pena arriscar. Acabamos voltando para o apartamente perto de meia-noite e fomos dormir para o dia seguinte.


Acho que chega por enquanto. Vou deixar algumas fotos de Havana para atiçar a curiosidade de todos:


Malecón, La Habana. Vista do Edifício Focsa.
Este é um café que o Hemingway frequentava.
Havana é inteira marcada por prédios de arquitetura de outra era, alguns em bom estado outros, nem tanto.


Por hoje é só pessoal.


João Gabriel Riveres

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Quase 2 Meses Depois - Parte 01

Quase 2 meses depois de chegar em Cuba, fiz minha primeira excursão real em Havana. Me senti como em um mochilão. Foi muito bom. É necessário escapar da escola de tempos em tempos. Aqui ficamos ilhados de tudo e de todos, vendo e conversando sempre com as mesmas pessoas. Chega a ser um pouco claustrofóbico se você para e pensa.

Havana este fim de semana foi um sucessão de altos e baixos extremamente caóticos. No geral, foi um ótimo fim de semana. Começou tudo na sexta-feira, assim que terminou a aula de "História do Cinema Latino-Americano", às 17h00. Saí correndo da sala de aula para o quarto. Tinha que arrumar minha mochila e pegar o ônibus (ou "guagua" como dizem os cubanos) às 17h15. Cheguei no quarto e, obviamente, enfiei uma muda de roupa, o iPad (com o guia de Cuba dentro dele), um livro e uma blusa de frio. Bem, foi só isso. Como de costume me esqueci apenas do supérfluo: escova, pasta de dente, sabonete, toalha.


Chegamos em Havana, mais ou menos, às 18h30. Descemos do ônibus perto do "Café Fresa y Chocolate", e descobrimos que de café não tem nada. O lugar é uma casa de shows e começa a receber movimento só depois das 22h00 e a galeria de arte que tem dentro dele estava, obviamente, fechada. Saímos do café e vimos, no final de uma rua, um grande arco, desses super rebuscados. Seguimos até ele e descobrimos que era a entrada do cemintério de Havana. Infelizmente, por causa do horário, também estava fechando, mas foi uma descoberta ao acaso super bacana. Depois de quase entrar no cemitério seguimos para a Copélia, que é a sorveteria mais famosa de Havana, é mais ou menos o ponto de encontro para todos: estrangeiros e cubanos. Não é atoa que o ponto final da guagua da escola é lá.


Só para explicar o tamanho do templo dos sorvetes cubanos: A Copélia ocupa praticamente um espaço de meia Praça da Liberdade. Conta com um pavilhão central que deve caber por volta de 300 pessoas, se não mais. Envolta deste pavilhão existem pequenos quiosques que também vendem o super gostoso sorvete. Existe uma diferença entre comer dentro ou fora do pavilhão e essa diferença é de grande importância.


Em Cuba existem 2 moedas oficiais: o CUC (Peso Cubano Conversível) e Peso Cubano (vulgo Moeda Nacional ou MN). 1CUC = 25MN = U$ 1,10, entenderam? O resultado prático da matemática é que se você puder viver em MN você gastará pouquíssimo dinheiro. E, voltando à Copélia, se você consegue entrar no pavilhão central você pagará seus sorvetes em MN. Estávamos super felizes de estar lá dentro. Eu pedi duas bolas, o Matheus 3 bolas e a Etiene 2 bolas (meus companheiros de viagem nesse fim de semana). Não podíamos imaginar o que nos aguardava. Quando o garçom chegou, ele chegou com 7 vasilhas, cada uma com 5 bolas de sorvete, instantaneamente tudo fez sentido. Pensei: ainda somos juninhos no espanhol.


Depois da Copélia pegamos um Coco Taxi. Sim, é um taxi em forma de coco, mas existe uma boa explicação por trás de tudo isso. O Coco Taxi nasceu em 1998, depois que o governo cubano fechou um acordo com a fábrica italiana Vespa e comprou um quantidade enorme de motores Vespa 150CC, a idéia era contruir uma rede de serviço turístico a partir daí e, quando passaram o trabalho de criar o veículo para um cubano (cujo nome esqueci, ele é um fodão aí, descubro e conto depois) ele juntou PRAIA + VISIBILIDADE P/ PASSAGEIRO + CHAMAR ATENÇÃO. A partir da "grande" idéia desse homem o governo cubano inciou a produção das carcaças em fibra de vidro desse veículo turístico que, apesar de pouco confortáveis, fazem passeios super gostosos. Ah, ainda tem mais, os motoristas são guias turísticos. Eles sabem (ou deveriam saber) tudo sobre a cidade, em teoria eles são capacitados a executar os Tours Arquitetônicos e muitos outros.


Voltando à nossa noite: quando pegamos o Coco Taxi já era algo em torno das 20h30 e não tínhamos onde dormir. Conversando com nosso guia turístico, extremamente bem informado e atencioso, ele nos indidcou a casa de seu primo para dormirmos. Estranho!? Calma. Aqui em Cuba hotéis são caros, Albergues também e são quase inexistentes. O que existe são apartamentos ou quartos disponibilizados para alugar. É uma pratica licensiada pelo governo e muito bem fiscalizada ao que tudo indica. Ficamos em um apartamento genial, com ar condicionado, sala de estar com televisão, cozinha, benheiro, super bem arrumado: 30 CUCs a noite, ou seja: 10 CUCs por cabeça. Achei digno.


A noite se extendeu com mais alguns acontecimentos, mas estes ficarão para o próximo post. Não devo demorar muito para postar, já que tenho sobre o que contar. :-P


Um grande abraço para todos,


João Gabriel Riveres


P.S.: Não deixem de comentar

domingo, 25 de setembro de 2011

La Escuela De Todos Los Mundos

Há praticamente 20 dias cheguei em Cuba. Estava assustado, confesso. Não conseguia, e nem podia, pensar essa viagem como mais um mochilão e, mesmo com uma volta marcada para o Brasil em dezembro, tudo parecia definitivo demais. É muito difícil se distanciar de tudo você conhece e apostar em algo tão desconhecido.


Cheguei em Havana no dia 06 desse mês. Já estava atrasado para aulas, que começaram um dia antes. Já havia perdido a abertura do ano letivo, o discurso do ilustríssimo Fernando Birri (um dos fundadores da Escola) e o primeiro fim de semana no qual os calouros são recebidos. Em contra partida estava viajando com meus companheiros do Brasil: Matheus Xavier, Eleonora Coutinho e Etiene Faccin. Fiz todo o trajeto, a partir do Rio de Janeiro, na companhia do Matheus. A Eleonora e a Etiene pegaram um vôo diferente do nosso e, por isso, acabaram perdendo a conexão no Panamá. Acabou que nos encontramos, finalmente, na escola.


Aeroporto José Martí, La Habana
No vôo que fizemos da Cidade do Panamá para La Habana, conheci uma Belo Horizontina, Tatiana Mitre, que estava voltando para seu segundo ano na Escola, ela fez uma super propaganda das pessoas, dos professores e de como a escola é espetacular. Perguntei pra ela como era voltar pra cá, depois de 1 mês em casa. Ela respondeu: "Estranho". Acho que eu entendo.


Tatiana Mitre
Matheus Xavier
Já no dia que chegamos, encaramos a aula do turno da noite: História do Cinema, com o maestro Jorge Yglésias. A aula começou às 20h00 e seguiu até 01h00. Loucura, loucura, loucura. E foi assim durante a primeira e a segunda semana. Acordo, mais ou menos, às 07h00 vou tomar café da manhã, começo a ter aulas às 09h00 e vai até 01h00 da manhã.


Entrada da EICTV
A Escola de Todos os Mundos, esse nome não é uma brincadeira, tem gente todos os lugares mesmo. Não são apenas pessoas da América Latina, Europa e Asia também estão representados aqui. É impressionante ver tanta gente diferente junta. É impressionante o quanto somos parecidos em alguns pontos. E é impressionante como nós brasileiros somos aliens completos entre os latino americanos (vou guardar esse tema pra um post futuro).


À esquerda um citação do Fernando Birri: "Para que el lugar de la Utopia, que por definición está en 'Ninguna Parte', está en alguna parte..." À direita: foto de parte do corpo docente da escola.
Corredor e praça central da Escola. Ao fundo, à esquerda está o Rapidito (que não tem nada de rápido) que é o bar, ponto de encontro, de festa, de vagabundar, tudo.
Prédio de apartamentos, são quatro andares de pequenos quartos com banheiro que abrigam 120 estudantes do curso regular, eu incluso. Rola uma guerra pelos apartamentos mais altos por causa do vento, da vista e porque o primeiro andar é, de longe, o mais húmido e sofre ataques constantes de hordas de rãs e sapos. (NOTA: tirei 7 rãs/sapos do meu quarto outro dia)
Esse é o prédio onde moram os professores, os apartamentos são maiores, tem 2 quartos e cozinha, mas não é chique não. Bem espartano.
Prédio da Cátedra de Edição. São 17 ilhas de edição. Devo passar o segundo e o terceiro ano sumido dentro de uma das ilhas. :-P
Porta do meu quarto. Apartamento 107.
Horácio, motorista da guagua (ônibus) que foi nos salvar no aeroporto de Havana. Super gente fina. Portador de um dos narizes mais incríveis que já vi.
Bem, chega por hoje. Achei que eu estava mais inspirado. De qualquer maneira é um começo. Uma hora eu tinha que tomar vergonha na cara e começar essa blog.


Comentem, perguntem, critiquem, dêem notícia.


Um grande abraço para todos.


João Gabriel Riveres